Onde a semana perde força
1 novembro 2026
O privilégio de me deslocar frequentemente ao encontro da Paula, em lugares abertos à natureza, tem um efeito duplamente terapêutico: permite-me estar com quem amo e recuperar uma ligação à terra que os ritmos da produtividade, da urgência e da desumanização tendem a apagar. Contornar o Monte das Caldas pela nascente é deixar Braga para trás sem verdadeiramente a abandonar. Os caminhos de paralelo fazem a scooter tremer até Semelhe. Perto de Gondizalves, surgem os primeiros sinais do outono. As folhas secas acumulam-se junto aos muros, as sombras tornam-se mais frescas e os campos abrem a paisagem até ao horizonte. Ao longe, a cidade continua visível. Entre o dourado das videiras e a profundidade dos campos agrícolas surgem edifícios, blocos de betão e outras marcas da vida urbana. Estão suficientemente próximos para lembrar onde estou. Suficientemente distantes para deixar de importar. O mais surpreendente é o silêncio. Num território que fica a escassos dois quilómetros da densidade...