A geografia das pequenas fugas
9 agosto 2026
No sossego da casa de campo, o dia pedia silêncio quando a Paula me sobressaltou com um desejo simples: sair, mas sem ir para longe. Há quem precise de horas na estrada e de mapas dobrados em quatro para sentir que atravessou uma fronteira; ali a preferência pendia para a subtileza dos pequenos desvios. Eu já tinha na cabeça o itinerário para uma fuga de circunstância, daquelas em que o destino é apenas um pretexto para desacelerar o ritmo do mundo. Fizemo-nos à N201, rolando suavemente no asfalto apenas pelo tempo estritamente necessário para virar o corpo e a atenção. Em Romarigães, a primeira paragem impôs-se quase por respeito literário junto à Casa Grande. Ergueram-na no século XVII em torno da Capela de Nossa Senhora do Amparo e, durante gerações, o solar de arquitetura nobre e rural foi o coração da vida local. Mas foi a escrita de Aquilino Ribeiro, em 1957, que a imortalizou no romance homónimo, transformando o granito, os musgos e os jardins da Quinta do Amparo num território ...