Acerca

13 março 2026

A arte do desvio

MANIFESTO

O mundo moderno tem uma obsessão febril pela linha reta. Ensina-nos a ir do ponto A ao ponto B pelo caminho mais curto, mais rápido, mais eficiente. Mas as linhas retas são anestesiantes. É nas curvas que a velocidade é obrigada a ceder, e é nelas que o corpo se inclina para sentir a gravidade do momento.

O Entre Curvas nasceu dessa resistência ao relógio.

Este não é um espaço sobre destinos finais, nem sobre a mecânica que nos move. É um caderno de apontamentos escrito ao ritmo de quem escolhe o desvio. É sobre a luz que bate oblíqua nos prédios ao fim da tarde, o cheiro a asfalto molhado que sobe depois de uma bátega de água súbita, e o sussurro das conversas que se perdem nas esplanadas quando passamos devagar.

Escrevo para registar a poesia discreta do quotidiano — aquela que a maioria das pessoas tem demasiada pressa para ver. Cada crónica aqui publicada é uma fotografia analógica feita de palavras, revelada sem pressas, para quem ainda encontra prazer em demorar-se na leitura tanto quanto eu me demoro no caminho.

Seja numa ruela esquecida da cidade ou numa estrada secundária que rasga o horizonte, o convite é sempre o mesmo: desacelerar, olhar e, finalmente, sentir.

Autor do Entre Curvas agachado serenamente, com as mãos entrelaçadas, numa rocha robusta e coberta de musgo. Junto encontra-se uma lagoa de água verde-esmeralda e uma pequena cascata, ladeada por fetos densos e vegetação rasteira. Ao fundo encontra-se uma ponte de pedra coberta de musgo.

Daniel Marques

PERFIL

Nasci a 20 de junho de 1983 em Sintra. Mas foi a 10 de janeiro de 2009 que passei a fazer de Braga o meu ponto de partida e de regresso. Não me vão encontrar nas praças públicas da ditadura algorítmica ou no ruído constante das redes sociais; prefiro o compasso mais humano das ruas e o silêncio atento da página em branco.

O Entre Curvas é o meu porto de abrigo literário. É aqui que converto o movimento diário em palavras, cruzando o olhar cívico com a ironia subtil do quotidiano. Normalmente conduzo uma scooter que me serve de miradouro ambulante, mas o meu verdadeiro vício é mesmo a observação. Escrevo como quem fotografa com palavras: para reter a luz de um instante antes que ela mude.


Correspondência


Se partilha deste mesmo gosto pela deriva, ou se simplesmente quer enviar uma nota de viagem escrita à mão (ainda que por via digital), o meu correio está aberto.

Escreva-me para correio@entrecurvas.pt