Acerca
O manifesto do desvio
EDITORIAL
O mundo moderno tem uma obsessão febril pela linha reta. Ensina-nos a ir do ponto A ao ponto B pelo caminho mais curto, mais rápido, mais eficiente. Mas as linhas retas são anestesiantes. É nas curvas que a velocidade é obrigada a ceder, e é nelas que o corpo se inclina para sentir a gravidade do momento.
O Entre Curvas nasceu dessa resistência ao relógio.
Este não é um espaço sobre destinos finais, nem sobre a mecânica que nos move. É um caderno de apontamentos escrito ao ritmo de quem escolhe o desvio. É sobre a luz que bate oblíqua nos prédios ao fim da tarde, o cheiro a asfalto molhado que sobe depois de uma bátega de água súbita, e o sussurro das conversas que se perdem nas esplanadas quando passamos devagar.
Escrevo para registar a poesia discreta do quotidiano — aquela que a maioria das pessoas tem demasiada pressa para ver. Cada crónica aqui publicada é uma fotografia analógica feita de palavras, revelada sem pressas, para quem ainda encontra prazer em demorar-se na leitura tanto quanto eu me demoro no caminho.
Seja numa ruela esquecida da cidade ou numa estrada secundária que rasga o horizonte, o convite é sempre o mesmo: desacelerar, olhar e, finalmente, sentir.
Carta ao Editor
Se partilha deste mesmo gosto pela deriva, ou se simplesmente quer enviar uma nota de viagem escrita à mão (ainda que por via digital), o meu correio está aberto.
Escreva-me para entrecurvas.pt@gmail.com